Municípios alemães exigem milhares de milhões

Na Alemanha, os municípios duramente atingidos pela crise energética estão a exigir milhares de milhões de euros de ajuda.
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Os serviços municipais alemães, responsáveis pelo abastecimento energético local, precisam de “cerca de 50 mil milhões de euros” em ajuda estatal para fazer face ao aumento dos preços, afirmou na quinta-feira o organismo da indústria.

“Estamos a falar de um montante de cerca de 50 mil milhões de euros”, disse um porta-voz da organização VUK, que agrupa 1.500 empresas municipais, à AFP.

A federação diz que está “em discussões” para obter a libertação da ajuda pública que aumentaria ainda mais a factura da crise para o governo de Olaf Scholz, que já está muito sobrecarregado com a ajuda às famílias e ao sector energético.

“Precisamos de dinheiro para os serviços municipais, que têm de comprar gás até dez vezes o preço de antes”, acrescentou VUK.

Na Alemanha, as empresas públicas locais são empresas dependentes dos municípios, que fornecem electricidade, água ou gás aos seus cidadãos.

O país enfrenta um aumento dos preços da energia, tendo como pano de fundo uma paragem no fornecimento de gás russo, que representava 55% do abastecimento do país antes da guerra na Ucrânia.

Contudo, estas entidades não podem repercutir estes custos nos seus clientes, que “simplesmente não podem pagar” a diferença, diz a organização. “O estado (federal) deve reconhecer a necessidade de agir”, disse a organização.

Para o governo de Olaf Scholz, a crise energética está a parecer um poço sem fundo de despesas à medida que cada dia passa.

No início desta semana, o Estado revelou um pacote de ajuda de 30 mil milhões de euros para salvar e nacionalizar a Uniper, o maior importador de gás do país, que está ameaçado de falência.

No início de Abril, Berlim teve de assumir o controlo da antiga filial alemã da Gazprom, a Gazprom Germania, para assegurar o seu abastecimento, injectando 9-10 mil milhões de euros de ajuda. De acordo com o semanário Der Spiegel, é provável que se siga uma nacionalização, uma vez que a tutela pública é limitada até ao final de Setembro.

Finalmente, a empresa alemã de energia VNG, o terceiro maior importador de gás do país, acaba também de apelar ao Estado para que o ajude a fazer face às suas perdas.

Esta enorme despesa lança dúvidas sobre a capacidade de Berlim regressar no próximo ano à regra do “travão da dívida”, que a proíbe de assumir mais de 0,35% do PIB por ano.

Um novo imposto sobre o gás, pago pelo consumidor, deveria ajudar a distribuir os custos adicionais pagos pelos importadores de gás, mas a sua aplicação tem causado tensão durante semanas mesmo no seio da coligação governamental.

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